Capítulo 11
Capítulo 11
Lee-yeon puxava um carrinho com um homem cambaleante deitado nele. Ela sentia o olhar dele queimando suas costas, mas não se virou. O som dos grilos preenchia o silêncio da noite.
— Quantos anos eu tenho?
A pergunta repentina a fez hesitar.
— Uhm…
Mil possibilidades cruzaram sua mente. Isso era como um jogo, ou melhor, um campo minado.
Um único movimento errado e tudo poderia explodir em sua cara.
— Trinta e dois — respondeu, finalmente, virando-se para encará-lo.
Era difícil determinar sua idade apenas pela aparência. Ele era absurdamente bonito, sem uma única ruga no rosto. Se vestisse um uniforme escolar, poderia parecer um estudante do ensino médio, se usasse um terno, passaria por um empresário de sucesso.
— Você tem a mesma idade que eu.
Ele assentiu lentamente.
— Mas… nós sempre usamos honoríficos um com o outro?
— Ah… sim.
Mentiu sem hesitação.
— Você sempre foi muito educado e gentil.
Uma mentira descarada.
Mas ela precisava dizer alguma coisa! Parecia que espinhos estavam crescendo em sua língua. Árvores criam galhos, sementes. Elas crescem. Mentiras também, uma vez que germinam, espalham-se fora de controle.
— O que eu fazia da vida?
Lee-yeon ficou sem palavras.
Você enterrava pessoas vivas.
Plantava gente no chão e os matava.
— Ah… então…
Ela gaguejou.
Antes que pudesse formular uma resposta, sentiu um toque leve em seu cotovelo.
O olhar de Kwon Chae-woo a perfurava como uma lâmina.
A mão dele tocou seu ombro.
Desesperada, as palavras simplesmente saíram.
— Você plantava muito bem!
— O quê?
— Plantas!
Ele estreitou os olhos.
— O que eu plantava?
Lee-yeon engoliu em seco.
Pessoas. Você plantava pessoas.
— Flores…
— O quê?
— Você plantava flores na minha clínica. Foi assim que nos conhecemos.
Queria costurar a própria boca.
O homem estava um desastre. Coberto de sujeira, feridas e marcas vermelhas. Após o banho, Lee-yeon o ajudou a aplicar pomada nos machucados, franziu a testa ao ver os arranhões avermelhados em seu corpo, mas Kwon Chae-woo não demonstrava dor alguma.
Sua respiração era calma.
Cada vez que passava a pomada, suas mãos tremiam. Ela só queria que essa noite terminasse logo.
— Vamos dormir juntos aqui.
Lee-yeon congelou.
— O quê?
— Somos casados, não somos?
Ele a encarou.
— Não podemos dormir juntos?
— Eu… Mas você ainda é um paciente…
— Sim, sou um paciente. Mas já não estou em estado vegetativo, e eu sou o seu marido.
Seus olhos atravessaram Lee-yeon como lâminas afiadas. Ela se levantou da beira do colchão, instintivamente. Nunca tinha pensado nas consequências de fingir ser sua esposa.
Seu coração disparou.
— Você está desconfortável comigo porque eu não sou mais o mesmo de antes?
Lee-yeon não conseguiu responder.
— Eu…
— Está tudo bem — disse ele, olhando para ela.
Seu tom era suave, mas havia algo nele que a deixava inquieta.
— Eu não vou te tratar mal.
Ele continuou.
— Não vou te forçar e não vou te ameaçar. Exatamente como o marido que você conhecia.
O olhar dele estava vazio.
Como se todas as cenas de violência fossem apenas uma miragem.
— Então, durma aqui comigo.
O médico disse uma vez que, quando Kwon Chae-woo dormia, ninguém sabia quando ele acordaria de novo. Então, o mais importante agora era fazê-lo dormir. Sem dizer nada, Lee-yeon deitou ao lado dele. A cama não era muito grande, mas comportava duas pessoas.
O cheiro de desinfetante preenchia o ar.
— Tenho tantas perguntas — murmurou ele, virando-se para encará-la.
Seu olhar perfurava como uma flecha.
Ela desviou, encarando o teto.
— Sobre o que está mais curioso?
— Como eu me tornei um homem em estado vegetativo?
Lee-yeon engoliu em seco.
— Nós… fomos juntos à montanha. E sofremos um acidente.
— Você também?
Ele franziu a testa.
— Sim, mas não me machuquei muito.
Ela manteve os detalhes vagos.Seria mais fácil inventar desculpas depois. Seu coração batia descompassado.
— Você cuidou de mim desde então?
— Sim… mas a equipe médica se esforçou mais do que eu.
Se ele descobrisse que tudo isso era uma mentira… Ela estaria morta. Precisava ser cuidadosa, estava andando sobre gelo fino.
— Apenas pense em si mesmo agora — disse ela. — Logo, poderá reencontrar sua família. Você tem um irmão mais velho.
— Não me lembro dele.
Ele pegou a mão dela. Lee-yeon tentou não se assustar. Era só sua mão que ele segurava… Mas sentia como se seu corpo inteiro estivesse preso.
— A única pessoa que preciso agora é você, Lee-yeon.
A voz dele era baixa.
— Seu rosto é a única coisa que permanece na minha mente.
Nada mais.
— Acho que te amo muito.
A palavra “amor” soou absurda.
De repente, a imagem de seus pais surgiu em sua mente. Lee-yeon teve que morder a língua para não xingá-lo. Kwon Chae-woo ergueu o corpo um pouco e puxou o cobertor sobre os dois.O calor repentino trouxe uma sensação inesperada de conforto.
Era aconchegante o suficiente para aliviar o cansaço do dia.
Sem perceber, ela se aconchegou no cobertor.
E seus olhos encontraram os dele.
— Quando nos casamos?
— Ah… há dois anos?
— Você já chorou por minha causa?
— O quê?
— Fomos recém-casados e você teve que cuidar de mim esse tempo todo — disse ele. — Isso deve ter sido terrível.
— Eu estou acostumada a cuidar de pacientes que não falam, então… não chorei muito.
— Quanto tempo namoramos antes de casar?
— Ah, hum…
As perguntas estavam ficando mais complicadas.
Lee-yeon não sabia o que responder.
Ela nunca teve um relacionamento.
O que poderia dizer sobre a vida amorosa de outra pessoa?
— Não namoramos por muito tempo. Casamos logo depois que começamos a sair.
— Logo depois?
Ela hesitou.
Seria estranho dizer que se casaram rapidamente?
Na ilha, casamentos rápidos não eram incomuns.
Enquanto pensava, Kwon Chae-woo ergueu as sobrancelhas.
— Uma noite?
— O quê?!
— Dormimos juntos na mesma noite em que nos conhecemos?
Ele sorriu.
— E você achou que eu era o parceiro perfeito?
Lee-yeon abriu e fechou a boca, sem palavras. O sorriso dele suavizava suas feições. Pela primeira vez, parecia mais jovem. Seus olhos já não pareciam frios e distantes.
Mas, para Lee-yeon, era como acordar em um pesadelo.
— Parece que você era bem ousada naquela época — provocou ele.
— Não! Não foi assim!
A suposição dele a fez sentir-se ainda mais desconfortável. Mas ela não conseguia encontrar uma explicação plausível para refutar o que ele disse. Quando ficou em silêncio, Kwon Chae-woo inclinou a cabeça, descansando sobre o travesseiro.