Capítulo 06
Capítulo 6
O medo a dominava por completo. Seu coração batia tão rápido que parecia prestes a explodir. Naquele momento, tudo o que Lee-yeon desejava era que o chão se abrisse e a engolisse.
Ainda assim, ela reuniu forças e tentou se recompor.
— Kwon… Kwon Chae-woo. Kwon Chae-woo.
Nenhuma resposta.
Ela engoliu em seco.
— Você não parece estar bem agora — murmurou, com as mãos trêmulas, estendendo-se em direção ao celular. — Vou chamar um médico!
Quando Lee-yeon e Choo-ja estavam fora para atender pacientes, a equipe médica contratada pelo irmão de Kwon Chae-woo era responsável por cuidar dele. Eles sempre estavam de prontidão, entrando discretamente pela porta dos fundos construída especialmente para o segundo andar. Além de monitorar os equipamentos, o cuidador o massageava, lavava e secava seu corpo.
A única obrigação de Lee-yeon era uma:
Cuidar dele até que o verdadeiro culpado fosse encontrado.
E não deixá-lo sair de Hwaido.
Ela ficou paralisada ao lembrar daquele dia fatídico.
A única coisa que sabia sobre ele era seu nome: Kwon Chae-woo. Nada além disso. Mas não era difícil imaginar que sua família possuía poder e riqueza, considerando como o segundo andar foi construído em um piscar de olhos.
“Não é difícil para mim fazer de você uma assassina.”
As palavras ecoaram em sua mente, fazendo um arrepio percorrer sua espinha.
Ela nunca se sentiu tão impotente antes. Já havia sido considerada culpada uma vez e teve que pagar uma multa por fazer uma denúncia falsa ao 112. Quando a polícia chegou à montanha, não encontrou ninguém. O homem que atingiu Kwon Chae-woo com uma pedra desapareceu como se nunca tivesse existido.
Ela se lembrou das palavras dos policiais:
“Ou você está louca, ou o mundo ao redor de Kwon Chae-woo é muito mais assustador do que podemos imaginar.”
Lee-yeon chegou a ir à delegacia, mas, antes mesmo de relatar algo, recebeu um telefonema do irmão de Kwon Chae-woo. Ele disse que só queria cumprimentá-la. No entanto, assim que desligou, recebeu uma mensagem.
Uma foto.
Nela, o homem posava sorridente ao lado do chefe da polícia.
Aquele foi o dia em que ela percebeu que não havia saída.
Ela se arrependeu do dia em que seu destino cruzou seus caminhos. Não havia nada que ela pudesse fazer. Nem sua mente estava em condições de encontrar uma maneira de escapar. Pior ainda, ela já havia desistido muito antes, sem sequer se esforçar para lutar. Tudo o que ela esperava era que o homem em estado vegetativo nunca acordasse.
Agora, vendo Kwon Chae-woo acordado diante dela, sentiu um desespero ainda maior. Seu olhar era intimidador. Naquele exato momento, sua mente a lembrou de uma coisa que ela deveria fazer.
“Nunca provoque um inimigo capaz de silenciar tudo sem esforço.”
Era isso que ela deveria ter em mente. Para evitar apodrecer na prisão por uma acusação falsa, mesmo contra sua vontade, deveria garantir que o assassino fosse bem tratado.
“Queria que essas mãos não fossem as minhas.”
— Kwon Chae-woo. Sei que você deve estar confuso por ter acabado de acordar, mas eu explicarei tudo com calma — disse ela, tomando fôlego e enfrentando seu olhar. — Então, por favor, me solte e levante-se!
Mas, como se estivesse destinado a ir contra todas as suas expectativas, ele fez o oposto.
Aproximou-se ainda mais, curvando o corpo sobre o dela. Sua sombra gigante cobriu a cama, e um calor desconhecido pressionou as costas de Lee-yeon. No processo, a ponta de seu nariz tocou a pele exposta de sua nuca.
— O-o quê?! — Ela gritou, apavorada.
Kwon Chae-woo não recuou. Pelo contrário, enterrou o rosto no pescoço dela e inalou seu cheiro profundamente, como um animal selvagem. Sua respiração quente roçou a pele dela.
— Pare de gritar e responda às minhas perguntas — ordenou com a voz rouca.
Lee-yeon engoliu seco e assentiu rapidamente.
— Você me prendeu aqui?
— O quê? — Ela piscou, confusa.
O tom de sua voz a pegou de surpresa. Kwon Chae-woo, que tipo de vida você levou?
Espera… Por que ele está sendo tão educado?
— Ou fui eu quem te prendeu?
O medo de Lee-yeon foi substituído por perplexidade diante da pergunta absurda.
— De jeito nenhum! O que você pensa que eu sou?!
— Quem faz as perguntas aqui sou eu.
Seu olhar se estreitou.
— Por que estou aqui?
Dessa vez, a voz dele estava mais doce. Ela não estava familiarizada com a inocência que ele falava. Sua pergunta educada era nada menos que uma ameaça para ela. Mas será que é porque eu conheço sua verdadeira natureza?.
Quando o tom de voz dele a pressionou a responder, ela falou.
— Você é apenas um paciente. Acabou de acordar de um longo coma.
O silêncio se prolongou.
Ela precisaria convencê-lo. Era a única maneira de sobreviver.
— Não há nada de perigoso nisso. Então, por favor, acalme-se.
O homem, que respirava de forma irregular, parecia ter voltado ao normal. Talvez suas palavras o tivessem convencido.
Desde o dia em que ele foi trazido para cá, ela rezava para que ele nunca despertasse. Mas agora que ele estava acordado, tudo ficaria ainda mais complicado.
Esse assassino estava livre para agir.
Como ela lidaria com sua natureza cruel e egoísta? Ela não estava preparada.
— Mas… por que está tremendo?
A voz áspera de Kwon Chae-woo arranhou seus ouvidos, trazendo-a de volta à realidade.
Ela viu… Ele sorriu?
— Fez algo errado para mim?
— N-não…?
Seus olhos se arregalaram diante da ousadia dele.
E então, de repente, o peso sobre seu corpo desapareceu.
Antes que pudesse reagir, ele a virou com brutalidade. Seu corpo se movimentou como se fosse uma mera folha ao vento.
O coração dela começou a bater ainda mais forte.
E antes que pudesse processar o que estava acontecendo, ele se aproximou ainda mais.