Capítulo 02
Capítulo 2
A scooter, que seguia em linha reta, inclinou-se para o lado. Lee-yeon se apressou em endireitá-la novamente e respondeu rapidamente:
— Gerente, espere!
— Eu ouvi claramente. Houve um barulho!
— Você deve ter ouvido errado. O quarto está vazio, como poderia haver algum som?
— Olha, eu tenho certeza que ouvi algo.
Lee-yeon manteve a calma, mas acelerou a scooter. A paisagem clara e serena de Hwaido passava por ela em um borrão.
— Sinto muito. Já chamei o chaveiro.
— Não! — exclamou Lee-yeon. Sua calma finalmente se quebrou.
Ela tentava desesperadamente encontrar uma desculpa convincente para dissuadir sua gerente, mas Choo-ja foi mais rápida:
— Chega de mentiras! — disse ela. — Pare de dizer que trancou o quarto porque os veios d’água estão se espalhando. Já estou cansada de ouvir que você está secando pimentas e grãos de soja lá dentro!
— Isso é—
— Você por acaso é um Barba Azul? Por que insiste tanto em manter essa porta fechada? Não me importaria nem se você tivesse um harém de homens escondido aí dentro!
A boca de Lee-yeon se abriu em choque.
Gye Choo-ja, que completara sessenta anos naquele ano, era uma arborista que ajudava Lee-yeon no tratamento das árvores e também na administração do hospital. O Hospital Spruce Tree pertencia a Lee-yeon, que agora tinha trinta e dois anos. Ela era solteira, então a ideia de um harém de homens era completamente absurda.
Sempre que Lee-yeon saía de Wangjin, Choo-ja tentava abrir o quarto no segundo andar. E hoje, aparentemente, ela havia encontrado sua oportunidade.
Era compreensível que estivesse curiosa e irritada por ser mantida no escuro, mas…
“Gerente… eu realmente não posso mostrar o segundo andar para você!”
Por dois anos, aquele quarto fora envolto em mistério. Lá dentro havia uma planta peculiar, algo que ninguém jamais poderia descobrir.
A placa de madeira com o nome “Hospital Spruce Tree” estava prestes a cair quando Lee-yeon entrou apressada no hospital. A casa simples era pintada em um tom marfim desgastado. No entanto, o segundo andar era de um cinza urbano, destoando do restante da construção.
Ela passou pelo primeiro andar, que funcionava tanto como escritório quanto como moradia, e subiu as escadas correndo.
— Gerente! — chamou.
— Maldição! — exclamou Gye Choo-ja.
O chaveiro já estava lá, pronto para arrombar a fechadura. Lee-yeon parou, ofegante.
— Eu estou farta disso, de verdade.
— Eu já te disse — ofegou Lee-yeon —, há outro proprietário. Não tenho permissão para entrar. Por isso o quarto está vazio.
Essa era… metade verdade, metade mentira.
— Ah, é? Você não pode entrar? — Choo-ja cruzou os braços. — Então como diabos você secou pimentas e grãos de soja lá dentro?
— Eu… bem…
— Então me deixe pelo menos sentir o cheiro do ar desse “quarto vazio”.
— O ar pode estar mofado. O cômodo não tem ventilação — tentou persuadi-la Lee-yeon.
— Sério? Você não confia em mim, não é? Mesmo que tivesse ouro e diamantes lá dentro, eu nunca roubaria.
“Na verdade, eu nem me importaria se você roubasse meu ouro e diamantes…”, pensou Lee-yeon.
Ela sorriu nervosamente para Choo-ja e fez um gesto para que descessem as escadas.
— A curiosidade matou o gato, gerente.
— Sua mentirosa! Por que você não fala assim com seus clientes?
— Mas, falando sério…
Desde o começo, Choo-ja achava que a doutora de árvores era uma mulher fácil de se lidar. Mas ao vê-la lidando com clientes, em sua maioria homens arrogantes de meia-idade — engenheiros civis, arquitetos e empresários do setor agrícola —, percebeu que a desconfiança dela só aumentava com o tempo.
— Diretora, eu não vou desistir até saber a verdade — declarou Choo-ja, enquanto descia as escadas.
Lee-yeon desabou no chão.
“Esse maldito segundo andar…”
Fechou os olhos, exausta.
A cama estava cercada por vários aparelhos. Os monitores piscavam e emitiam sons ritmados, mantendo vivo o homem deitado ali.
Era difícil determinar sua idade. De olhos fechados e cabeça levemente virada para o lado, parecia apenas uma pessoa dormindo profundamente.
Mas ao longo dos últimos dois anos, seu corpo grande foi se atrofiando. A pele de seus braços e pernas havia afinado. No entanto, seus ombros largos e angulosos ainda eram os mesmos da noite em que Lee-yeon o encontrou na floresta.
Ela se sentou ao lado da cama e soltou um longo suspiro. Dois anos haviam se passado, e não havia sinais de melhora.
Passou as mãos pelo rosto, tentando afastar o cansaço.
Mesmo sendo médica, ela era uma médica de árvores, não de pessoas.
Esse homem — mesmo em estado vegetativo — ainda era um homem, e não uma árvore.
Aquela noite ainda se repetia em sua mente como um filme.
“Você não precisa fugir?”
Quando balançou sua motosserra para se proteger, o homem não se moveu nem um centímetro.
Havia marcas de sangue na lâmina, mas aquilo parecia não incomodá-lo. Ele simplesmente não reagiu.
Naquele momento, Lee-yeon teve certeza de que morreria ali. Quando se virou para encarar seu assassino, viu algo inesperado: ele estava paralisado.
Seus dentes estavam cerrados como se sentisse dor. E então, lentamente, seu corpo pesado tombou no chão.
Alguém o havia atingido por trás.
Uma pedra manchada de sangue estava ao lado do corpo.
O agressor era o próprio homem que teria sido enterrado vivo se Lee-yeon não tivesse aparecido.
Ele estava coberto de terra e sangue. Cambaleou ao olhar para o corpo caído, tentou abrir os olhos… e então desmaiou, rolando morro abaixo.
Sentada agora naquele quarto silencioso, Lee-yeon sentiu um arrepio percorrer sua espinha pensando o quão facilmente ela poderia ter morrido naquela noite.
Agora, naquele cômodo cheio de máquinas e o silêncio, ela olhou para o homem adormecido na cama.
— Kwon Chae-woo — murmurou.
O nome soou estranho em sua boca. — Por favor, não acorde.
Ela pressionou as têmporas e respirou fundo.
Tudo o que sempre quisera, desde que fugiu de casa, era uma vida tranquila.
Uma vida pacata e monótona era um privilégio pelo qual ela ansiava.
— Por favor, não acorde — sussurrou novamente.
Lee-yeon enterrou o rosto nas mãos, exausta.
Naquele instante, um dos dedos do homem se moveu levemente.