Capítulo 03
Capítulo 3
— Lee-yeon, está na hora de fazermos algumas mudanças.
Gye Choo-ja disse com um brilho travesso nos olhos, estendendo o celular para que Lee-yeon olhasse a tela.
— O que é isso? — perguntou Lee-yeon, curiosa, interrompendo as anotações em seu diário de tratamento.
— Você já ouviu falar da Soleil Landscaping Company?
Lee-yeon assentiu. Todo mundo conhecia aquela empresa de paisagismo. Eles eram renomados em toda a região por seus projetos grandiosos.
— Ele é filho do presidente da Soleil Landscaping Company — disse Choo-ja, arqueando as sobrancelhas de maneira sugestiva.
Lee-yeon revirou os olhos diante da empolgação da amiga e lançou um olhar rápido para a tela do celular.
— Oh.
Foi tudo o que disse antes de desviar o olhar e voltar a escrever no diário.
Choo-ja franziu a testa, inconformada com a falta de interesse de Lee-yeon.
— É só isso? Um simples “oh”?
— Gerente, você não acha que ele é um pouco jovem demais para você? Poderia ser confundido com seu neto — respondeu Lee-yeon, sem tirar os olhos do diário.
— Pra mim não! É pra você! — exclamou Choo-ja.
— O quê?! — Lee-yeon arregalou os olhos, sem entender para onde aquela conversa estava indo.
— Não podemos continuar desse jeito. Chegamos ao nosso limite. Nossos contratos principais acabaram e o Hospital D está assumindo todos os outros projetos — disse Choo-ja em um tom mais suave.
O coração de Lee-yeon apertou ao ver a tristeza nos olhos da amiga. Ela compreendia aquele sentimento. Cerrando o maxilar, tentou conter a frustração e a raiva que cresciam dentro dela.
O Departamento de Biologia Agrícola do Hospital D. Um grande hospital de árvores que acabara de construir um prédio de cinco andares, além de possuir seu próprio laboratório de pesquisa.
O Hospital D chegou a Hwaido com força total, oferecendo incentivos agressivos para empresas de paisagismo, viveiros, obras civis e corporações agrícolas. Em pouco tempo, dominou o mercado. Todos queriam fechar contratos com eles, o que lhes deu ainda mais recursos para expandir suas operações.
Com todas essas mudanças, o hospital de Lee-yeon estava à beira do colapso. Os contratos desapareceram da noite para o dia, e agora eles sobreviviam apenas com exames médicos na prefeitura e alguns poucos clientes que procuravam preços mais acessíveis.
— Precisamos fazer algo sobre essa situação! Não podemos simplesmente desistir! — exclamou Choo-ja, andando de um lado para o outro.
— E o que devemos fazer? Fechar nosso hospital e ir trabalhar no Hospital D? — rebateu Lee-yeon, com um tom amargo. Era isso que todos os empresários de Hwaido estavam fazendo.
— Desculpe, gerente. Não devia ter gritado com você — murmurou Lee-yeon, se sentindo mal por ter descontado sua frustração na amiga.
— Não tem problema. Mas que tal trabalharmos no Hospital D e escrevermos xingamentos nas portas dos banheiros? — brincou Choo-ja, rindo. Ela se lembrava bem da vez em que Lee-yeon jogou esterco em um guindaste durante um protesto ambiental contra a construção de um campo de golfe.
— Eu sei que você é muito esperta, então por que não tenta recuperar o contrato? — disse Choo-ja, sorrindo de maneira travessa enquanto erguia o celular de novo.
O olhar de Lee-yeon se endureceu instantaneamente. Ela já sabia onde aquela conversa ia dar. Na tela, a foto do homem tornava óbvia a intenção de Choo-ja.
— É só tomar um chá com ele.
— O-o quê?! Não diga besteira — Lee-yeon recuou um passo, tentando processar aquele absurdo.
— O filho da Soleil está na Coreia para um encontro às cegas. Basta ir lá e se apresentar. Eu até consegui a lista das mulheres que ele vai conhecer — disse Choo-ja, balançando as sobrancelhas.
— Eu não vou! Você está me fazendo parecer uma interesseira! — exclamou Lee-yeon, afundando na cadeira.
— Do que você está falando?! — Choo-ja elevou a voz, surpreendendo Lee-yeon.
Ela nunca tinha visto Choo-ja gritar com ninguém. Aos sessenta anos, a mulher mantinha uma elegância impecável. Sempre vestida com roupas sofisticadas e saltos altos, ela parecia muito mais jovem do que sua idade sugeria. Ao lado dela, Lee-yeon sentia-se deslocada, com seu estilo simples e confortável.
— Pensa bem. Amor e romance não significam nada hoje em dia, e não é como se você fosse se casar com ele agora. É só um chá. Uma apresentação. Você estaria fazendo isso para salvar seu hospital. Sua carreira. Não há nada de errado em pensar no seu futuro — argumentou Choo-ja, tentando convencê-la.
Lee-yeon suspirou.
— Eu quero salvar meu hospital, mas…
— Ótimo! — exclamou Choo-ja, batendo palmas, animada novamente.
— Já te entreguei a chave do hotel? — perguntou ela, já planejando os detalhes.
Lee-yeon ainda tentava processar como aquela conversa tinha tomado um rumo tão inesperado.
Eu só estou fazendo isso pelo meu hospital. Pela minha carreira, repetia para si mesma, respirando fundo.
— Mas espera aí! Como você soube disso? — perguntou de repente, interrompendo a animação de Choo-ja.
— Soube do quê?
— Que o filho da Soleil voltou para a Coreia. E o que você quis dizer com “lista de espera”?
Choo-ja arqueou as sobrancelhas perfeitamente desenhadas e sorriu.
— De quem mais eu saberia isso, além do próprio presidente?
— O quê? O presidente? Mas por que ele te contaria isso…
— Por que não contaria? Eu namorei com ele.
— Choo-ja! — Lee-yeon deu um pulo da cadeira, chocada.
A vida amorosa de Choo-ja sempre fora um mistério para Lee-yeon, que tinha pouca experiência no assunto. Para ela, os romances da amiga pareciam mais um conto de fadas sombrio.
Lee-yeon conheceu Choo-ja quando tinha apenas 17 anos. Na época, ela havia fugido de casa e não tinha para onde ir. Foi Choo-ja quem a acolheu e lhe deu um rumo. Desde então, tentou ensinar Lee-yeon que a vida não era só trabalho, mas a garota sempre rejeitou a ideia de amor.
Enquanto Lee-yeon relembrava o passado, Choo-ja continuava seu discurso.
— … Destino não tem nada a ver com encontrar um parceiro. Você escolhe com quem quer estar. Então, não desista. A vida é curta demais para comer comida ruim. Se você continuar com essa mentalidade antiquada, só vai sobrar pão mofado pra você.
Aproveitando que Choo-ja estava distraída com seu monólogo, Lee-yeon saiu correndo da sala. A mulher extremamente conservadora era bem diferente da senhora de espírito livre.
— Vai passar a vida inteira sozinha?! — Choo-ja gritou atrás dela.