Capítulo 05
Capítulo 5
As lágrimas rolavam pelo rosto de Lee-yeon enquanto ela tentava, desesperadamente, explicar:
— Eu… eu acho que há um engano. Não fui eu quem o atingiu na cabeça, eu juro! Seu irmão estava tentando enterrar alguém vivo quando—
— E o que tem isso? — O homem à sua frente interrompeu, jogando as cinzas do charuto no chão. Sua voz era tão indiferente quanto seu olhar por trás dos óculos de aro prateado. — Ele claramente ficou irritado por ter sido interrompido.
Lee-yeon estremeceu. O homem aparentava estar na casa dos trinta ou quarenta anos, seu rosto era liso, sem uma única ruga. Não havia traço algum de calor ou humanidade em sua expressão.
— Não fui eu! — ela insistiu, a voz trêmula. — Foi… foi o próprio homem que estava sendo enterrado. Ele pegou uma pedra e o atingiu. Eu só… só tentei me defender, mas…
Ela engoliu em seco. Quanto mais falava, mais percebia o quanto estava encurralada.
O homem continuava a encará-la com ceticismo.
— Meu irmão tem bons ouvidos. Ele não é burro e definitivamente não é insensível ao ponto de não perceber alguém se aproximando por trás.
— M-mas…
Lee-yeon sentiu o desespero a sufocar. Ela sabia que, se não o convencesse, sua vida seria destruída. Não havia testemunhas, nenhuma evidência a seu favor. Ela sequer sabia onde estava ou quem era aquele homem. Mas uma coisa era certa: precisava sair dali viva.
O tambor próximo estava batendo constantemente, o que assustou ainda mais Lee-yeon.
— Então você é cúmplice? Cúmplice do homem que acertou o meu irmão? — ele perguntou, entediado.
— O quê? Cúmplice?! Eu nem conheço esse homem!
O outro nem piscou. Ele não estava irritado, nem ameaçador. Apenas… indiferente. Como se estivessem conversando sobre um simples negócio.
— Não me importo com quem você é, So Lee-yeon.
Ele se abaixou até ficar no mesmo nível que ela, seus olhos penetrantes se cravando nos dela.
— Como alguém que viu meu irmão entrar em coma, eu realmente espero poder fazer alguém pagar pelo estado de meu irmão.
Lee-yeon sentiu seu corpo gelar.
Coma? O assassino estava em coma?!
— Se você o acertou com uma pedra ou não, isso não importa para mim. Em vez disso, vamos fazer um acordo. Se você for inteligente o suficiente, sairá deste lugar em segurança”, disse ele com um sorriso de escárnio.
Ela prendeu a respiração.
— Um… acordo?
— Exatamente. — Um sorriso lento se formou em seus lábios, o homem colocou seu cigarro em uma caixa de carne e disse casualmente. — Encontre o verdadeiro culpado e traga-o até mim. Até lá… você cuidará do meu irmão.
Lee-yeon arregalou os olhos.
Ele a libertou de suas amarras e a fez assinar um contrato.
— Cuidar dele…?
— Isso mesmo. E, claro… — Ele se virou, ajeitando os óculos. — Não deixe que ele saia de Hwaido.
Os sons abafados das batidas no tambor começaram a desaparecer conforme algo era arrastado para longe.
<Fim do Flashback>
Ele sumiu.
A cama estava vazia, os lençóis bagunçados. Apenas os equipamentos médicos piscavam sob a fraca luz do luar.
Onde ele foi?!
O terror daquela noite de sequestro a atingiu como um soco. O cheiro do lugar, a tensão, o medo sufocante, tudo voltou de uma vez.
As palavras do homem de óculos de prata ecoaram em sua mente.
“Enquanto você dormia, fiquei me perguntando se deveria simplesmente rasgá-la em pedaços… ou colocá-la num tambor com cimento e jogá-la no mar.”
“Alguém precisa pagar pelo estado do meu irmão.”
Lee-yeon sentiu a espinha gelar.
Se ele descobrisse que Kwon Chae-woo desapareceu, ele me mataria.
Um som no corredor fez sua respiração travar.
Ela girou nos calcanhares, e um vulto se moveu atrás da porta.
Antes que pudesse reagir, um corpo masculino investiu contra ela, empurrando-a com força. O impacto fez um dos equipamentos médicos cair com um estrondo.
Seu coração disparou.
Ele está me atacando?!
Mas algo estava errado.
O homem estava… cambaleante. Seu corpo pesava sobre o dela, como se não tivesse forças para se sustentar. Ele mal conseguia firmar os joelhos.
Isso é impossível… Ele acabou de sair de um coma!
Mesmo assim, sua força era inumana. Suas mãos prenderam os pulsos de Lee-yeon atrás das costas. Seus joelhos pressionaram os dela, imobilizando-a.
A respiração quente dele roçou sua nuca.
A tensão subiu como eletricidade através da pele dela.
Ele está forte demais. Ele não devia nem estar de pé!
Os músculos rígidos do homem a prendiam, e foi então que Lee-yeon percebeu algo.
O calor. O peso. A firmeza do corpo masculino contra o seu.
E então, a constatação.
Seu corpo travou.
O volume quente e rígido pressionava sua bunda sem pudor.
Um grito ficou preso na garganta.