Capítulo 08
Capítulo 8
Sem perceber, Lee-yeon estava dizendo exatamente o que queria que ele acreditasse.
— Você simplesmente não conseguiria me machucar.
Kwon Chae-woo apenas ergueu as sobrancelhas por um instante antes de baixá-las novamente.
O rosto dele era um completo vazio. Nenhuma emoção, nenhum sinal de que acreditava em suas palavras.
Ele deu um passo à frente e deslizou os dedos pelo pescoço dela, em um toque suave que a fez prender a respiração.
— Por quê?
Ela ficou atordoada.
O quê?
— P-por quê…?
— Por que eu não posso te machucar?
Cada vez que os dedos dele tocavam sua pele, seu coração disparava como louco.
Ela mordeu os lábios ao lembrar do que aconteceu na montanha. Ser capturada, falhar na fuga, o colar em seu pescoço…
O toque dele, por mais suave que fosse, era suspeito.
Ela falou sem pensar.
— P-porque a lei diz isso!
— Lei?
— Sim, é…
Ela mordeu o lábio com força, nervosa.
As palavras de Choo-ja ecoaram em sua mente.
“O destino não tem nada a ver com encontrar um parceiro. Você escolhe quem fica ao seu lado.”
Então, de repente, algo brilhou em seus olhos.
Ela teve uma ideia.
— Se você me matar, será um caso de uxoricídio.
A agulha caiu das mãos de Kwon Chae-woo.
Pela primeira vez, um traço de expressão surgiu em seu rosto.
A consciência de Lee-yeon a incomodou por um segundo, mas ela rapidamente escondeu isso com um olhar firme.
Era sua forma de demonstrar determinação.
— Porque eu sou… sua esposa.
Naquela noite, ela plantou uma semente mortal.
O inesperado sempre acontece.
E prever essas surpresas é quase impossível.
O incidente bem diante dos olhos de Lee-yeon era algo que só se via em artigos de pesquisa estrangeiros.
Ela tentou encontrar as palavras certas.
— Tem certeza de que foi atingida por um raio ontem à noite?
— Sim.
Lee-yeon franziu os lábios ao olhar para a árvore escurecida. Ela havia sido rachada ao meio.
A mulher que a chamou apertou suas mãos, os olhos marejados.
— Eu plantei essa árvore quando meu filho nasceu. Mas agora ele cresceu e serve no exército… Estou sentindo que algo ruim vai acontecer.
— Vou dar uma olhada primeiro.
A árvore estava em um estado lamentável, severamente danificada.
Lee-yeon franziu a testa, como se sentisse a dor da árvore, e começou a avaliá-la.
— Gerente, essa árvore precisa de uma cirurgia. Vamos preencher o buraco com correntes por enquanto e marcar uma data para o procedimento.
Choo-ja, que estava ao lado segurando a maleta de ferramentas, sussurrou, preocupada.
— E se a árvore morrer e colocarem a culpa em você?
— Felizmente, as raízes não foram afetadas. Ela pode se recuperar. Além disso, é a árvore de nascimento do filho dela.
Lee-yeon se ajoelhou.
— Tem terra suficiente do local armazenada no hospital?
Choo-ja se abaixou ao lado dela e, por um momento, ficou surpresa.
Sob a luz intensa do dia, o rosto de Lee-yeon parecia ainda mais cansado.
As olheiras estavam profundas.
— Gerente, ultimamente eu…
Antes que pudesse terminar, o celular de Lee-yeon tocou.
Ela verificou o nome na tela, murmurou uma desculpa e se afastou.
— Alô?
A expressão madura e calma que mantinha ao lidar com a árvore desmoronou.
Suas unhas foram direto para a boca.
Ela andava de um lado para o outro, parecendo um viciado em apostas fugindo de um cobrador.
— Como assim?
Seus olhos tremiam sob o chapéu de palha. Já fazia um mês desde que Kwon Chae-woo acordou do coma. Os médicos o examinaram e disseram apenas uma coisa: ele está amnésico.
Mas agora…
— Eu não sei dizer quando ele vai acordar.
Lee-yeon congelou.
— …O quê?
Ela sentiu a pulsação no pescoço acelerar.
— Isso não faz sentido. Eu conversei com ele! Ele até… ele chegou a me segurar!
A pessoa do outro lado tossiu.
Naquela noite, logo após ouvir a confissão dela—“Sou sua esposa”—, Kwon Chae-woo simplesmente apagou.
Como se tivesse usado cada gota de energia que tinha.
Lee-yeon entrou em pânico, ligou para a equipe médica imediatamente… e agora isso?
Ela estava extremamente nervosa enquanto esperava pelo bem-estar dele. Seu coração estava batendo rápido e ela até arrancou os cabelos como se estivesse tendo uma crise.
E, agora, percebia o tamanho do erro que cometeu.
“Esposa…”
“Esposa de um assassino!”
De tantas mentiras plausíveis, por que essa?
— N-não… não pode ser.
— Não é isso que eu quis dizer. É um pouco diferente.
Lee-yeon segurou a respiração.
— O que quer dizer?
— De acordo com os exames, a consciência dele voltou.
— É difícil acreditar que ele tenha despertado de um estado vegetativo, mas ele despertou. E os testes de resposta também parecem normais. No entanto…
Lee-yeon sentiu um arrepio.
Vinha mais um choque.
— Não podemos prever quando ele vai acordar.
Ela estreitou os olhos.
— Mas você acabou de dizer que ele despertou!
— Não posso dar uma resposta definitiva porque ele está apresentando sintomas raros.
— Sintomas raros?
— Hipersonia.
Ela franziu a testa e tocou os lábios.
— Também conhecido como Síndrome da Bela Adormecida. Fizemos todos os exames possíveis, mas não conseguimos identificar a causa. O cérebro dele está normal, então isso é apenas uma hipótese…
Lee-yeon ficou boquiaberta.
Piscou, atônita.
De alguma forma, estava começando a se acostumar com essas reviravoltas absurdas.
— Vamos ter que esperar para ver. Mas, se for mesmo essa síndrome…
O médico hesitou.
— …Então?
— Quando ele dormir, pode ficar assim por uma semana, dez dias… ou mais.
Silêncio.
— Atualmente, ele já está dormindo há doze dias.
Lee-yeon não sabia como reagir.
— Por enquanto, vamos levá-lo de volta para você.
Antes que o médico desligasse, ela o interrompeu às pressas.
— D-doutor, espere!
Ela respirou fundo e tirou o chapéu.
O vento soprou contra sua testa úmida de suor.
— Então, quer dizer que… Kwon Chae-woo não está mais em estado vegetativo, mas ninguém sabe quando ele vai acordar?
— Exato. Não há como prever.
Lee-yeon soltou um suspiro tremido.
Foi como se todo o peso do mundo tivesse sido retirado de seus ombros.
Seus olhos se fecharam com força.
— Obrigada… Obrigada.
— Hã?
Ela não poderia estar mais aliviada.
“Porque eu sou sua esposa.”
Agora, ela podia simplesmente fingir que nada aconteceu.
Se um dia ele questionasse… daria um jeito de dizer que tudo foi um sonho.
— Obrigada, doutor! Muito obrigada!
Lee-yeon voltou para o local do acidente com renovado otimismo.
Sorriu para a cliente, que ainda parecia desolada.
— Vou fazer o meu melhor para trazer essa árvore de volta à vida!