Capítulo 04
Capítulo 4
A luz do luar atravessava a janela, iluminando a escadaria que levava ao segundo andar. Um par de rangidos ecoou pelo silêncio enquanto uma silhueta escura tentava subir as escadas sem fazer barulho.
O velho relógio de parede, que estivera no hospital desde sua inauguração, bateu meia-noite e ressoou alto pelo ambiente.
Fazer uma visita ao segundo andar todas as noites havia se tornado um hábito para Lee-yeon. Inicialmente, pretendia ir apenas uma vez, mas agora isso servia como um lembrete de que, enquanto o assassino estivesse ali, ela estaria segura.
Como em qualquer outro dia, Lee-yeon digitou a senha e girou a maçaneta.
As plantas também têm espíritos. Quanto mais palavras boas recebem, mais saudáveis crescem; por outro lado, quanto mais palavras ruins ouvem, mais rápido morrem. Sabendo disso, Lee-yeon desejava que aquilo também se aplicasse à sua vida.
Palavras têm poder, repetia para si mesma.
“Por favor, não acorde. Você não pode acordar.”
“Por favor, deixe-me viver uma vida pacífica e tranquila.”
Mas, ao abrir a porta, esperando encontrar o corpo frágil deitado na cama como de costume, Lee-yeon parou abruptamente.
…Ele não está aqui?
Ela não acreditou no que via. Piscou uma vez. Depois, mais duas. Mas a visão diante dela não mudou.
Aquela pessoa sempre estava ali. Era como um fantasma, um mero resquício de um ser humano. E, no entanto, a cama, onde antes restava apenas a casca vazia dele, estava vazia.
Um arrepio percorreu sua espinha, e seu corpo se cobriu de arrepios. Pela primeira vez, percebeu que talvez não estivesse mais segura. A lembrança daquela noite fatídica voltou à sua mente como um prenúncio do pior.
<Flashback>
O homem que caiu do penhasco deve ter morrido.
O pensamento cruzou sua mente enquanto seus olhos fixavam a poça de sangue no chão.
Ele deve ter morrido. Rolou colina abaixo depois de ter a cabeça esmagada… provavelmente várias vezes.
Com muito esforço, reuniu os pedaços da própria sanidade e percebeu que estava sozinha na montanha.
“Vou… vou voltar para casa depois de relatar isso à polícia.”
Ela sabia que teria pesadelos com aquilo, mas a noite passaria. Um novo dia chegaria. E ela precisava viver.
Com dificuldade, forçou-se a ficar de pé. Seu corpo tremia, prestes a desabar, mas obrigou-se a dar outro passo. Enquanto comemorava silenciosamente essa pequena vitória, algo pesado cobriu seu rosto de repente.
Um cheiro amargo e forte preencheu suas narinas, deixando-a tonta. Tentou resistir, mas a substância tomou conta de sua cabeça, e a escuridão a envolveu.
Quando recuperou a consciência, sua cabeça latejava. Apenas abrir os olhos era um desafio.
Ela balançou a cabeça algumas vezes, tentando afastar a dor e se concentrar.
Onde estou?
A primeira coisa que viu foi uma lâmpada antiga piscando contra um fundo de trevas. Cada vez que a luz oscilava, uma silhueta masculina aparecia, tragando um cigarro. A fumaça densa preenchia o ar.
— Quem é você? — A voz de Lee-yeon saiu hesitante, forçando-se a demonstrar coragem.
Tentou se levantar, mas logo percebeu que estava amarrada a uma cadeira. O metal frio pressionava seus pulsos cada vez que tentava se soltar.
O homem continuou fumando, alheio ao seu desespero.
— Por que você fez aquilo? — Sua voz soou sem emoção.
O medo apertou o peito de Lee-yeon, fazendo-a interromper sua luta contra as amarras.
— Não acho que ele vá sobreviver com a cabeça esmagada daquele jeito — continuou o homem.
Confusa e assustada, a única resposta que Lee-yeon poderia dar era o silêncio.
— O cara meio morto é meu irmão.
Quando a lâmpada parou de piscar, seus sentidos ficaram subitamente mais aguçados.
Foi então que Lee-yeon compreendeu o que estava acontecendo. Seus olhos se ajustaram à pouca luz, e ela começou a observar o ambiente ao redor.
Ganchos pendiam do teto, segurando os corpos de porcos abatidos. O sangue pingava lentamente no chão, fazendo seu estômago revirar.
Homens com botas de borracha pesadas caminhavam pelo espaço, ocupados com seus afazeres. Nenhum deles lhe lançava um único olhar. Eles removiam entranhas, cortavam a carne em partes e lavavam as manchas de sangue com mangueiras de alta pressão.
Lee-yeon percebeu que havia acordado no meio de um matadouro.
Na sua frente, um homem alto vestia um terno caro.
Ele deu uma tragada lenta em seu cigarro antes de dizer:
— Enquanto você dormia, fiquei pensando… Deveria simplesmente cortar você em pedaços ou jogá-la no mar?
Antes que ele pudesse continuar, uma sequência de pancadas fortes ecoou pelo ambiente.
Lee-yeon olhou ao redor e percebeu que o barulho vinha de um tambor no fundo da sala.
Foi então que ouviu o grito desesperado.
O eco do desespero reverberou pelo espaço fechado, fazendo cada fibra de seu ser congelar.
— Meu irmão está morrendo, e alguém tem que pagar por isso — disse a voz novamente, agora carregada de uma ameaça velada.
O coração de Lee-yeon disparou. O pânico a consumiu.
Ela podia ouvir sua própria pulsação martelando contra seu peito.