Capítulo 3
“Olá, Sr. Florista Isaac?”
Enquanto Isaac trazia as plantas em vasos que haviam sido mantidas do lado de fora para evitar a luz direta do sol, ele fez uma pausa em suas ações. Um par de sapatos masculinos apareceu diante dele, impecavelmente limpos.
Os olhos de Isaac viajaram desde os sapatos indubitavelmente luxuosos, subindo pelas pernas longas vestidas com jeans, até o peito robusto coberto por uma malha cinza fina. Eventualmente, seu olhar se fixou acima no rosto bonito. Uma emoção perplexa cruzou brevemente a expressão de Isaac ao reconhecer a pessoa, desaparecendo tão rapidamente quanto surgiu.
Embora não parecesse um cenário onde pudessem trocar cumprimentos de forma tão casual, ou melhor, era esse homem alguém que poderia passear pelas ruas de San Diego tão despreocupadamente? Isaac, sem aviso levantou uma questão, soltou a planta em vaso que estava prestes a levantar e endireitou a postura.
— Você voltou.
O cumprimento obrigatório parecia agradá-lo, pois seu sorriso se aprofundou. Mechas de cabelo dourado, parecendo fios de ouro, flutuavam naturalmente no vento acima de sua testa. Ele era, literalmente, um homem incrivelmente bonito.
— Você se lembra de mim?
— …Você é bastante atraente, afinal.
— Uau, não esperava tal elogio do inabalável Sr. Florista.
O homem levantou alegremente os dois braços de forma exagerada. Se era genuíno ou não, era difícil de discernir. Isaac, ajeitando seu avental, gesticulou para que o homem o seguisse para dentro da loja. O homem obedeceu, entrando alegremente.
Jack, não é? O cara parecido com um urso da última vez não estava à vista hoje. Em vez disso, o homem silencioso que lhe deu uma gorjeta da última vez estava seguindo-o.
— O que você está procurando hoje?
Foi no momento em que estava prestes a voltar para o balcão.
Clank!
Junto com um som metálico, uma sensação desagradavelmente fria se transmitiu ao lado de sua orelha. Reprimindo o reflexo de levantar a mão, Isaac virou os olhos em direção ao homem.
Ainda com um rosto bonito, a mão do homem segurava uma Glock brilhante. O cano frio da Glock pressionava firmemente contra a têmpora de Isaac.
— Você me conhece?
A pergunta, lançada com um sorriso brincalhão, não era tão casual quanto parecia. Engolindo em seco, Isaac virou os olhos para encará-lo. O espaço cheio de flores e plantas em vasos parecia caótico.
— Sim, você é o famoso Felix Felice, eu o vi nos jornais.
Isaac respondeu de forma objetiva. Em uma situação dessas, envolver-se em uma conversa fiada era ainda mais desafiador. Felix, que estava olhando intensamente para Isaac, inesperadamente soltou uma risada suave.
— Você realmente me conhece? Eu duvidei.
Dessa vez, Felix deu de ombros de forma exagerada, expressando arrependimento. Enquanto o ainda atordoado Isaac voltava o olhar novamente.
Quando o cano da arma que estava pressionando sua têmpora foi retirado, o homem silencioso que estava um passo atrás inesperadamente estendeu a mão em direção a Felix. Em resposta, Felix mostrou brevemente a língua, depois tirou uma nota de 100 dólares e a colocou na palma do homem.
— Eu nunca venci Tony nesse tipo de aposta antes.
— Porque o chefe é completamente desatento.
— Eu sou apenas um cara comum, e você parece ser o perceptivo.
Tony, o homem que respondeu às reclamações de Felix, lançou-lhe um olhar gélido. Depois, ele acenou com a cabeça e guardou suavemente a nota de 100 dólares na carteira. Isaac, que observava a troca, esforçou-se para reprimir um suspiro.
Isaac se perguntava se o Felix Felice que conhecia era o mesmo homem. Embora as características deslumbrantes e bonitas correspondessem, Felix não era do tipo que vagava casualmente pelas ruas mais movimentadas, e seu comportamento era muito diferente do que Isaac imaginava.
Felix Felice, um ítalo-americano na casa dos trinta, era famoso por um enorme comércio de armas. Embora fingisse seguir rotas legais exteriormente, ele se envolvia no negócio ilegal de desenvolver e vender armas, acumulando imensa riqueza e poder.
Dadas as habilidades e meios de distribuição para liderar com sucesso um negócio tão arriscado, ele era tão implacável e perigoso quanto uma figura da máfia. Havia rumores de que seu avô era um membro de alto escalão da notória máfia italiana, a Cosa Nostra, mas nada havia sido confirmado.
Consequentemente, não eram apenas uma ou duas agências que o perseguiam. Entre elas, era natural que o FBI e a CIA estivessem envolvidos, tornando enigmático vê-lo passeando abertamente pelas ruas. Que tipo de acordos haviam ocorrido? Embora ele parecesse ter vivido quietamente nos últimos quatro anos, suas ações permaneciam envoltas em mistério.
Enquanto Isaac mentalmente listava vários pensamentos, Felix levantou o queixo com longos dedos. Reflexivamente, os profundos olhos azuis de Isaac e seu olhar foram aprisionados. Mesmo no próprio reflexo dentro daqueles olhos azuis, um brilho travesso era visível.
— A propósito, estou curioso sobre como fui retratado nos jornais.
Se ele estava curioso, não havia nada que o impedisse de descobrir.
— Há quatro anos, houve um relatório de que sua base secreta em uma pequena ilha na América do Sul explodiu. Sob a liderança da CIA, uma busca urgente foi realizada, mas nada foi encontrado, e você foi preso, apenas para ser liberado sem acusações.
Enquanto Isaac relatava calmamente os eventos, Felix inclinou a cabeça de forma indiferente.
— Você está bastante bem-informado. Graças a mim, a CIA ficou em maus lençóis. Bem, eu também tive meus próprios problemas por causa disso.
Felix falou como se estivesse fofocando sobre algo não relacionado a ele mesmo, como discutir uma fofoca publicada em uma revista semanal. A travessura desapareceu dos olhos azuis, e o queixo de Isaac foi inesperadamente segurado pela mão de Felix com força que causou uma dor surda.
— Então, isso é tudo?
— …
— É só isso que você sabe sobre mim?
Enquanto Isaac olhava silenciosamente nos olhos azuis de Felix, ele parecia perdido em pensamentos por um momento.
Certamente, além disso, Isaac sabia que Felix Felice, um audacioso traficante de armas, era um alfa dominante, não facilmente encontrado nas áreas circundantes. Portanto, ele também sabia que, devido às suas habilidades excepcionais e aparência, ele era um notório conquistador.
— ..É tudo.
No entanto, do ponto de vista de Isaac, não havia necessidade de revelar até mesmo tais informações. Felix riu com os olhos semicerrados.
— Então, você me reconheceu apenas por um artigo de jornal?
— Como mencionei, sua aparência marcante tornou difícil de ignorar.
Apesar de ter um rosto tão conspícuo, ele parecia alheio a esse fato.
Felix, com uma expressão divertida, continuou a investigar Isaac.
— Mesmo sabendo quem eu era desde o começo, por que você agiu com tanta indiferença?
O polegar de Felix passou delicadamente logo abaixo dos lábios. Isaac tentou evitar o toque sensível, contemplando a resistência, temendo que o cano da glock pudesse pressionar sua têmpora novamente.
— Bem, clientes são clientes. Não há muito o que eu possa fazer.
— Você é bastante intrigante. Devo dizer que tem coragem? Como pode ser tão tranquilo?
O rosto sorridente de Felix se enrugou sutilmente.
— É apenas minha personalidade.
— Aliás, onde nos conhecemos?
— ..Há uma semana, tarde da noite, você comprou um buquê na minha loja.
Isaac respondeu de maneira despretensiosa. O olhar intenso de Felix parecia penetrar o interior, afiado como se estivesse o escrutinando. Logo, murmurando algo como:
‘Entendi,’
Felix virou-se rapidamente, soltando o queixo de Isaac do firme aperto de sua mão, e coçou levemente o queixo gelado.
— Faça outro buquê hoje.
Felix, ainda ali parado como uma estátua, fez o pedido sem virar a cabeça. A mão que estava coçando o queixo parou.
—Isso é… o fim das perguntas?
— Sim.
Respondendo de forma breve, Felix olhou para cima com uma expressão astuta, deixando Isaac desconcertado. Se Felix havia percebido isso ou não, sua voz languida continuou.
— Tony estava se gabando. Disse que você parecia me conhecer. Ele é estranhamente bom em perceber coisas que até eu não noto. Então, decidi testar.
Ele estava perguntando apenas por causa da aposta? Chegando ao ponto de empurrar o cano sem consideração apenas para obter respostas para uma pergunta simples?
Quanto mais Isaac pensava nisso, mais desconcertado ficava.
Expressar raiva era uma tarefa assustadora, especialmente contra Felix Felice, que tinha uma reputação pior do que a maioria dos mafiosos.
— Se meus métodos foram excessivos, peço desculpas. É raro para uma pessoa comum me reconhecer.
— Você acha que sou alguém no nível do FBI ou da CIA?
— Pode ser outra coisa. Você, como um florista, nem consegue fazer um buquê decente.
Isso parecia suspeito. Felix, que casualmente lançou palavras rudes, analisou Isaac de cima a baixo com um olhar intensificado. Isaac, suportando silenciosamente seu olhar impessoal, fez uma pergunta misturada com um suspiro.
— Então, qual conclusão você chegou? Acha que eu finjo ser um florista e te sigo?
— Não sei.
Era uma resposta completamente indiferente. Felix deu de ombros, e o gesto despretensioso parecia natural.
— Por enquanto, você parece um florista estranho que não consegue nem mesmo embalar um buquê. Talvez seja melhor se as coisas permanecerem não relacionadas.
— Eu sou, de fato, um florista comum lutando com a embalagem de buquês.
— Vamos ver como as coisas se desenrolam.
Encostado no balcão, Felix fechou os olhos enquanto sorria. Seu sorriso encantador valia milhões de dólares, mas Isaac ficava cada vez mais tenso.
Ao contrário de suas suspeitas, ele nunca se aproximou de Felix fingindo ser outra pessoa. A menos que alguém tivesse a audácia de se aproximar de Felix, que era notório como traficante de armas, Isaac era apenas um cidadão comum esperando viver sem encontrar o infame traficante de armas conhecido mais do que muitos membros da máfia.
— Além disso, não foi você quem fez o contato inicial?
Certamente, foi Felix quem invadiu a loja que estava claramente fechando suas portas. No entanto, Isaac não sentia a necessidade de explicar. Tremendo de medo, ele entendia que, por mais que explicasse, Felix se apoiaria apenas nas informações que coletou, viu e acreditou.
—Você vai descobrir com o tempo.
Isaac não teve outra opção senão desconsiderar casualmente suas palavras.
— Para você, é melhor considerar-me apenas um florista comum.
— Já estou fazendo isso, então não há muito mais a desejar.
As sobrancelhas de Felix se franziram levemente. Olhando fixamente como se estivesse examinando Isaac, Felix, após um momento, ordenou: “Faça outro buquê.”
— Você não disse que não gostou da forma como eu arranjo as flores?
Isaac limpou a bochecha, sentindo uma fadiga súbita.
— Só porque você é um florista comum não significa que você não possa criar um buquê decente; é por isso que você precisa de prática.
— …
— Ah, escolha flores mais elegantes desta vez.
Não estou indo para um encontro. Felix acrescentou casualmente, apoiando-se com os braços cruzados no balcão sem virar a cabeça. Ele parecia apenas um cliente comum. Resignado, Isaac deu passos pesados em direção ao lado com os cestos de flores.
— O balcão está uma bagunça. Por que tudo está tão desorganizado?
Felix, que havia inclinado ligeiramente a cintura para descansar o queixo, murmurou. Enquanto falava, a área ao redor do balcão estava desordenada. Vários bilhetes e cartões estavam espalhados e não organizados de forma adequada, mas, em meio ao caos, havia um senso peculiar de ordem. O olhar de Felix, casualmente escaneando o balcão bagunçado, fixou-se em um ponto.
— Querido Benjamin.
CONTINUA