Capítulo 1
Tap Tap Tap
O campo estava cheio, e a respiração pesada. Gotas de suor pingavam pesadamente pelo queixo do homem que corria no meio da escuridão total. Sua camisa estava completamente encharcada, mas ele não parava de correr, não podia se dar ao luxo de parar.
Bang, Crash-
Um barulho alto e distante ecoou e as explosões continuavam sem parar. Este lugar já estava um completo caos devido ao tumulto, de forma que os sons de tremor no chão não eram audíveis. Porém, sua preocupação imediata era a condição do seu próprio corpo.
— Droga, logo agora!
As palavras rasgavam os lábios secos do homem que corria sem parar. Seu corpo estava super aquecido. A febre, que ele nunca havia sentido em seus vinte e sete anos de vida, decidiu surgir exatamente neste momento. O homem rapidamente mudou sua direção e correu para um edifício distante. Um armazém velho e decadente. Ele sabia que esse lugar não era seguro, mas não havia outra opção.
Thunk-
Ele chutou a porta desgastada com força, tremendo que pudesse quebrar, mas, felizmente, a porta esfarrapada manteve sua forma. Assim que adentrou, fechou a porta com força e analisou o ambiente. Felizmente, o lugar estava vazio. Considerando todo o caos que estava lá fora, não teria como haver alguém sentado tranquilamente naquele lugar.
Enquanto seus pensamentos corriam, outro barulho alto veio de fora. Os sons caóticos pareciam tão distantes, então o homem moveu-se cautelosamente pelo interior escuro de armazém, vasculhando cada canto.
Era um armazém decadente, cheio de feno, ferramentas agrícolas e vários itens diversos empilhados. Considerando aquele o lugar mais seguro que encontraria, o homem se escondeu entre os fardos de feno, onde havia uma janela onde o luar penetrava fracamente.
Assim como a porta, a janela estava velha e embaçada, com uma camada considerável de sujeira e uma grande rachadura. Um movimento errado, faria o vidro se estilhaçar, com o barulho ecoando lá fora. Ainda assim, esconder-se sob a janela era uma escolha estratégica, permitindo uma possível fuga ao quebrar a janela e escapar. Também o ajudava a examinar os comprimidos que retirou do bolso.
Na palma trêmula dele, havia vários comprimidos, todos supressores, pela luz fraca do luar, era difícil diferenciá-los. Enquanto o calor consumia seu corpo incontrolavelmente, sua visão começou a ficar turva. Frustrado, ele abandonou a tentativa de identificar os comprimidos, e simplesmente engoliu todos de uma vez. Sua condição não melhorou. Pelo contrário, o calor apenas se intensificou.
— Droga!
Uma maldição escapou dos lábios do homem. Era evidente que os supressores não estavam funcionando corretamente, apesar de carregar diferentes tipos para emergências, nenhum parecia ser eficaz. Sua respiração estava cada vez mais e mais urgente.
Até os dezenove anos de vida, ele era apenas um beta. Viveu sua vida toda acreditando que era um beta, porém, no ano seguinte, manifestou-se um ômega. Foi algo impensável, algo que não deveria ter acontecido e que não deveria ser revelado a ninguém. O mundo parecia estar desabando, sua única sorte foi se manifestar como um ômega recessivo.
Mesmo após ter se manifestado como um ômega, seus feromônios eram tão sutis que não havia diferença perceptível de quando ele vivia como um beta. Tomando seus comprimidos por mês, ninguém notara que ele era um ômega. Mesmo entre muitos alfas, ele nunca experimentou a influência dos feromônios e era alheio a ciclos de calor, até esse exato momento, claro.
Ele desejava viver na ignorância até sua morte. Para piorar sua situação, seu ciclo de calor surgiu inesperadamente em um momento criticamente importante e perigoso. Estava em circunstâncias terríveis. Poderia haver situação pior?
Para estar preparado para emergências, ele sempre carregava vários supressores, porém, em meio a crise, nenhum deles parecia funcionar, era inacreditável, a pior situação imaginável. Ao engolir o último comprimido, o homem, completamente dominado pelo calor que o consumia, curvou-se de dor. Rangeu os dentes, apenas suportando o calor ardente.
A situação tornava-se cada vez mais insuportável. Suor frio escorria como chuva, sua visão estava turva a ponto de não conseguir enxergar mais nada claramente. Suas calças estavam prestes a estourar e sua cueca já estava completamente úmida de pré-gozo. Ele desabotoou apressadamente o cinto, puxando as calças e a cueca de uma vez só, deixando-as penduradas nas coxas, mesmo com as mãos trêmulas, ignorando totalmente o barulho incessante do caos que estava lá fora.
Segurou seu pênis pulsante com a mão, apertando-o firmemente, apenas o toque da sua palma fria e áspera já parecia um alívio instantâneo. Moveu a mão rapidamente, soltando sons que se intensificaram.
— Ah, ugh, haah-
Seus movimentos se tornaram mais rápidos. Estava com as costas arqueadas e continuou a se masturbar, exalando suspiros quentes. O som da sua mão batendo contra a virilha ecoava obscenamente e seus gemidos escapavam de sua garganta intensamente.
Com o passar do tempo, sua mente ficou cada vez mais febril. Bloqueou sua boca com a outra mão, reprimindo seus gemidos e atingindo o clímax. O sêmen quente encharcou sua palma. No entanto, a respiração aquecida não diminuiu, subindo até o queixo.
Apesar de ter alcançado o orgasmo uma vez, o desejo não mostrou sinais de enfraquecimento e parecia que ainda estava a ponto de explodir. O que ele desejava no momento não era satisfação através da masturbação, era injusto e insuficiente.
Seu ânus transbordava a lubrificação aquosa de forma irritante e insuportável. O que ele queria no momento era o pênis de outro homem, mesmo que nunca tenha experimentado tal intimidade com outra pessoa, surpreendentemente, era o que seu corpo inundado por calor, desejava.
O fato inegável é que ele era um ômega, mesmo que durante toda a sua vida, tenha fingido ser um beta. Era deprimente reconhecer a realidade e entender que não poderia fazer nada com a situação atual de seu próprio corpo, que a cada momento, se exitava ainda mais.
— Então isso é um ciclo de calor? É isso que faz os ômegas se jogarem sobre os alfas?
Ele sentiu um desejo súbito enquanto praguejava, secretamente, queria que algum dos alfas barulhentos que estavam lá fora sentissem o cheiro de seus feromônios e o perseguisse.
Enquanto externava sua frustração e raiva por seu corpo miserável, ele não pôde deixar de colocar a mão em seu traseiro, antes que abrisse a porta e rastejasse para o caos lá fora, precisava, de alguma forma, tentar suprimir aquilo.
Com um olhar distante, o homem estremeceu e espalhou as nádegas. Ele gemia e empurrava os dedos de forma desajeitada para dentro, nunca tinha feito aquilo antes. Mesmo que a entrada fosse apertada, não era doloroso e nem difícil, já que estava encharcada, o problema, é que aquilo não o satisfazia, não importa quanto dedos colocasse.
— Alguém… Por favor…
— Uau, você realmente me proporcionou uma boa vista.
Uma voz lenta ecoou de algum lugar. O homem levantou os olhos surpresos, parecia que um fantasma estava ali.
Devido ao seu ciclo de calor repentino, estava muito mais atento que o normal, mas não sentiu nenhum sinal quando entrou naquele barracão. E, de repente, uma voz. Com um olhar surpreso no rosto, o homem estava chocado e perplexo, sem retirar a mão de seu traseiro, congelado no lugar.
Sem que tivesse percebido antes, o armazém tinha uma estrutura de dois andares, não completamente, mas um pequeno andar anterior. O homem, que estava apoiado no escuro, olhava para ele com uma expressão inexplicável.
— Continue. Eu quero ver mais.
Era um tom fraco, mas gradualmente os feromônios alfa envolviam o corpo do homem, o que o fez tremer. Ele nunca tinha experimentado um cheiro tão forte antes. O estímulo causado pelos feromônios, o deixou a beira do pânico.
— Ah… Um alfa…?
— Agora que percebeu? Mesmo que eu não estivesse liberando feromônios, um ômega num ciclo de calor deveria reconhecer um alfa. Você realmente é um ômega?
O homem encostou no corrimão do segundo andar e riu absurdamente, já o outro homem, não conseguiu rir junto. Como estava tomando supressores regularmente, quase não liberava feromônios e nunca sentiu os de um alfa. Ocasionalmente, poderia ter sentido um leve cheiro, não o suficiente para desestabilizar seu corpo. Ele nunca encontrou um alfa com feromônios tão fortes como aquele, um cheiro que o penetrava, pressionando seu corpo e impedindo-o de se mover.
O homem encolheu o corpo trêmulo. Todo o desejo que sentiu até agora parecia trivial, e assim que sentiu o alfa, uma onde insuportável de luxúria o consumiu. Sua visão ficou escura e seus dedos tremiam. O calor que apertava seu abdômen espalhou por seu corpo, como se fosse queimá-lo vivo.
CONTINUA